quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Optometria



A Optometria é uma profissão da área da saúde, especializada nos cuidados primários da saúde visual, que forma optometristas para atuarem de forma independente e multidisciplinar.

É a ciência responsável pelo cuidado primário da visão, atuando na investigação e compensação da visão, através de meios ópticos, além de atuar na prevenção da cegueira, detectando patologias oculares e sistêmicas que afetam a visão, não fazendo uso de medicamentos nem de métodos cirúrgicos.

Para a melhor compreensão da Optometria, é necessário distinguir saúde visual de saúde ocular.

A saúde visual é o exame e a avaliação da função visual, ou seja, do funcionamento do aparelho visual, que quando apresenta alterações visuais, estas possam ser compensadas através do uso de óculos ou lentes de contato.

A saúde ocular é o manejo e diagnóstico das doenças oculares e sistêmicas que afetam a visão e que necessitam de tratamento médico através de medicamentos e cirurgias.

O Optometrista formado com graduação superior, poderá atuar e prestar atendimento visual de maneira independente ou de maneira interdisciplinar, atuando em postos de saúde, hospitais, gabinetes optométricos, convênios de saúde, clínicas integradas, além de prestar serviço optométrico dentro do estabelecimento óptico.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Critérios de Correção

DIAGNÓSTICO:


CRITÉRIOS DE CORREÇÃO


GENERALIDADES:

A correção óptica é um meio para levar imagens à retina melhorando o conforto e a AV.

Ao pensar em dar uma correção óptica você deve ter em conta aspectos como:


  • Estado refrativo.
  • Estado motor
  • Estado patológico
  • Convergência
  • Idade
  • Sintomatologia
  • Ocupação


1- SEGUNDO O ESTADO REFRATIVO:


A forma geral ao corrigir um defeito refrativo é: dar a maior lente positiva, com a qual se obtenha a melhor AV.

Existem certas pautas que devem ser seguidas:

HIPERMETROPIA:

Se o paciente apresenta uma AV normal e não apresenta sintomas de astenopia acomodativa, não é necessário dar correção óptica (hipermetropia facultativa).

Tenha em conta que em adultos, a correção é maior positivamente, devido a perda progressiva da acomodação. Em uma pessoa jovem não é necessário nem conveniente corrigir totalmente a hipermetropia. Com exceção de certos casos com problemas acomodativos, onde é necessário dar uma correção total.


MIOPIA:

Recorde que a hipercorreção negativa aumenta o contraste e o paciente pode confundir com uma melhor visão.

Tendo em conta que a acomodação não se encontra muito desenvolvida, em certos casos é recomendável dar uma hipocorreção para trabalhos em visão próxima.


ASTIGMATISMO:

Se o paciente não apresenta sintomatologia, não é necessário corrigir astigmatismo baixo a favor da regra.

Em astigmatismo contra a regra deve-se tratar de corrigi-lo em sua totalidade.

Se a correção é dada pela 1a vez produz distorção espacial. Tenha em conta o resultado de prova ambulatorial.



Em casos de astigmatismos HETERONÔMICOS (eixos opostos), deve-se tratar de corrigir totalmente o olho com astigmatismo contra a regra; no outro olho, dar a correção segundo os resultados e segundo o olho dominante.

O grau de aceitação da correção em astigmatismos irregulares, é maior quanto mais jovem seja o paciente.

A conduta final depende do resultado da prova ambulatorial.



PRESBIOPIA:

A correção para visão próxima deve ser a que dê maior e melhor visão clara, a distância de trabalho do paciente e com a que obtenha boa AV.

Dependendo do caso e as necessidades do paciente, pode-se prescrever:

-2 pares de óculos
-Bifocais
-Multifocais etc.


ANISOMETROPIAS:

Recorde que quanto mais jovem o paciente, maior é a tolerância à correção total. Pacientes menores de 12 anos, recebem facilmente toda a correção.

Sempre deve corrigir totalmente o olho menos amétrope, já que é o olho mais utilizado.

Tenha em conta a aniseiconia produzida pela correção.

Aniseiconia: tamanho desigual das imagens formadas sobre as duas retinas.




2- SEGUNDO O ESTADO MOTOR


Ao dar uma correção óptica, é um fator muito importante analisar o estado motor induzido, já que influi, basicamente, da seguinte forma:


  • A lente positiva relaxa a acomodação e portanto aumenta os desvios do tipo EXO.



  • A lente negativa estimula a acomodação, portanto aumenta os desvios do tipo ENDO.


Em casos de endotropias em crianças, se dá o máximo positivo, preferivelmente o obtido depois de uma refração com cicloplégico.

Se em casos de hipermetropia, associado à uma exodesvio, e é necessário corrigir, recomenda-se exercícios ortópticos e um controle periódico (3 em 3 meses).

Se ao medir o desvio induzido, encontrar um aumento na descoordenação muscular deve considerar em particular a correção.



3- SEGUNDO O ESTADO PATOLÓGICO


Pode-se considerar:

- Dar correção, quando se encontra uma patologia de segmento anterior que melhora com o uso protetor dos óculos ou onde encontre algum defeito refrativo que possa contribuir para aumentar o problema.

EX: existem blefaroconjuntivite causadas por problemas refrativos baixos; em um pterígio a utilização de um filtro pode ajudar a diminuir a irritação e moléstia.


- Diante de uma patologia progressiva ou não tratada, é desnecessário dar correção antes de estabilizar a enfermidade.



4- SEGUNDO A IDADE E OCUPAÇÃO


Neste ponto deve-se ter em conta:

Em crianças existe uma grande margem de tolerância às correções totais utilizadas pela 1a vez.

Quando a ocupação está intimamente relacionada com as necessidades visuais, que são as que decidem basicamente a necessidade e o uso que se deve dar a correção.



Prescrição Final


PRESCRIÇÃO FINAL


GENERALIDADES

Chamamos prescrição final à fórmula óptica e outros fatores clínicos a considerar na Rx.


Os fatores clínicos que deve conter são:

A distância Pupilar e Acuidade Visual


EXISTEM VÁRIOS ASPECTOS A CONSIDERAR COMO:

- O USO que se deve dar aos óculos, isto determina o grau de sintomatologia e dos requerimentos visuais do paciente, prescreva a correção para uso:

a) Alternado Permanente
b) Fixação Prolongada
c) Visão Próxima
d) Visão de Longe
e) Distância de Trabalho
f) Uso


O TIPO de lente:

1. Lentes monofocais

2. Lentes especiais, dentro das quais encontram-se as de alto índice e as lentes asféricas.

3. Lentes iseicônicas

- O tipo de bifocal.
- O filtro a cor que se vai utilizar.

O material em que se solicitam as lentes: vidro ou plástico.

Técnicas para visão próxima


TÉCNICAS PARA VISÃO PRÓXIMA


Basicamente a técnica para visão de perto é muito simples. Existem diversas maneiras de se realizar, porém exigem maiores cuidados e materiais necessários para torná-la eficaz.



PROCEDIMENTO:


1. O paciente sentado com a correção para longe, segura a tabela de perto à distância de 40cm e responde até que linha vê com nitidez.

2. O cuidado coma idade do paciente é fundamental, porém a maior atenção deve ser com a ocupação profissional deste paciente.

3. Definido pela acuidade visual de perto, se o paciente deve utilizar correção para esta distância, inicie monocular agregando em cima da correção de longe, lentes esféricas positivas de +0,75 e aumente a cada 0,25, até que o paciente enxergue a linha de melhor acuidade visual.

4. Repita o procedimento para o outro olho e anote os resultados.

5. De maneira binocular, peça ao paciente que leia a tabela de perto e coloque-se a mesma distância do seu trabalho.

6. Respeite sempre o lag da acomodação de acordo com a idade do seu paciente (ver tabela), para que este não esteja hipercorrigido ou hipocorrigido para perto.


IDADE                                                       ADIÇÃO
40 anos ....................................................+1,25
40 a 44 anos.............................................+1,50
44 a 48 anos.............................................+1,75
48 a 52 anos.............................................+2,00
52 a 56 anos.............................................+2,25
56 a 60 anos.............................................+2,50
60 a 64 anos.............................................+2,75
64 ou mais................................................+3,00






Prova Ambulatorial


PROVA AMBULATORIAL


É uma prova que consiste em montar a refração final na armação de provas e fazer com que o paciente caminhe pela sala de exame durante uns 5 minutos, para que este sinta como será sua nova correção;


GENERALIDADES: 



Prova subjetiva binocular, realizada para determinar o grau de aceitação da correção tentativa, com base no conforto visual.



OBJETIVO: 


Provar o tolerância por parte do paciente à fórmula tentativa.



TÉCNICA:



1- Ajuste a armação de provas tendo em conta:
Distância pupilar.
Distância ao vértice.
Ângulo pantoscópico.
Altura da ponte.
Comprimento das hastes.



2- Coloque a correção tentativa na armação de provas.



3- Peça ao paciente que observe ao seu redor; olhando em todas as direções; peça que observe o ângulo dos objetos (quadros, portas etc).




INTERPRETAÇÃO:


Se o paciente reporta conforto e tolerância, pode-se prescrever a correção total tentativa, segundo o caso e o critério do examinador.


Se o paciente reporta desconforto: distorção espacial (pisos e paredes) ou têm dificuldade ao locomover-se com a correção total, calcule uma correção parcial (ver critérios de parcialização) e repita a prova ambulatória.




INDICAÇÕES:


Defeitos refrativos altos corrigidos pela 1a vez.

Astigmatismo contra a regra corrigido pela 1a vez.
Astigmatismo com eixos opostos (heterônomo).
Astigmatismo misto corrigido pela 1a vez.
Astigmatismo alto.
Astigmatismo oblíquo.
Anisometropias (defeitos refrativos desiguais dos 2 olhos).




POSSÍVEIS RESULTADOS:


Crianças: deve fazê-los caminhar pela sala e em um ambiente externo, observando o comportamento da criança e sua maneira de caminhar. Também é válido pedir para criança desenhar círculos e quadrados observando se pega os objetos corretamente ou procura antes do papel. Muitas vezes, nestes casos é necessário baixar valores esféricos para que a criança tenha melhor bem estar e conforto com seus óculos.


Adultos: reportam ao caminhar na sala de exame e no ambiente externo se sentem tonturas ou enjôos, neste caso é necessário baixar componente esférico e realizar a prova novamente até que o paciente reporte sentir-se bem com os óculos. Em seguida, medir a acuidade visual de perto e caso seja necessário seguir a técnica de correção para perto.